The University of Massachusetts Dartmouth Center for Portuguese Studies and Culture / Tagus Press is a multidisciplinary international studies and outreach unit dedicated to the study of the language, literatures and cultures of the Portuguese-speaking world. Working in close partnership with the Department of Portuguese and the Ferreira-Mendes Portuguese-American Archives, it is the oldest of these units devoted to Portuguese at UMass Dartmouth.

Announcements

Alfred Lewis novel published in translation

Minha IlhaDiario Digital
Quarta-feira, 30 de Junho de 2010 | 11:27
Rui Zink foi apresentado ao luso-americano Alfred Lewis
Texto: Pedro Justino Alves
(original link)

Bestseller nos Estados Unidos nos anos 50, finalmente Portugal poderá ler em português «Home is an Island», de Alfred Lewis. «Minha Ilha, Minha Casa» é o primeiro volume da série «Portugal na América», da editora EDEL, uma colecção desenvolvida em colaboração com o Centro de Estudos Portugueses da Universidade de Massachusetts. Rui Zink foi «apresentado» ao livro há ano e meio. Hoje é um profundo admirador do escritor luso-americano.

«Os livros não nos caem do céu. Precisamos sempre de uma mão amiga que nos leve até eles.» E foi através da mão do professor Frank Sousa que Rui Zink conheceu Alfred Lewis, escritor natural da ilha das Flores que emigrou para os Estados Unidos em 1922. Foi o primeiro escritor emigrante nacional a despertar a curiosidade do público americano. Agora chegou a vez de despertar a curiosidade do público português. «De nabo a expert vai um pequeno passo para o homem, um grande passo para a portugalidade», defende Rui Zink nesta entrevista.

Minha IlhaComo explica a tradução de «Home is an Island» em Portugal acontecer quase seis décadas depois de ser editado nos Estados Unidos?
Mais vale tarde que nunca. O mérito primeiro é do professor Frank Sousa, que criou na Universidade de Massachussetts (que fica no coração da maior comunidade luso-americana da costa leste) uma colecção dedicada a temas e autores luso-americanos, Portuguese in the Americas Series. Depois, da FLAD, que apoiou o projecto de devolver o livro ao leitor português. Depois, da bolsa criada por luso-americanos, a cátedra Hélio e Amélia Pedroso/FLAD, que me permitiu pernoitar um semestre na Universidade de Massachussetts e ser desafiado pelo Frank Sousa para colaborar nesta ventura. Depois, da editora Edel, que também embarcou.

Quem foi Alfred Lewis? Como conheceu o autor e esta obra em concreto?
Como já disse, conheci-o graças a Frank Sousa. Os livros não nos caem do céu. Precisamos sempre de uma mão amiga que nos leve até eles. Há ano e meio eu próprio não o conhecia. Agora estou envolvido na edição de duas obras suas e já participei numa dúzia de palestras sobre ele. De nabo a expert vai um pequeno passo para o homem, um grande passo para a portugalidade.

Como definiria «Minha Ilha, Minha Casa»? Do seu ponto de vista porque foi um bestseller nos Estados Unidos? O que há de cativante nele para ser publicado cerca de 60 anos depois no nosso país?
É um livro intensamente poético, não na exuberância de imagens, antes na limpidez da escrita. O prazer da leitura não se desvaneceu, por isso. Não é um texto barroco, e nisso vai contra uma certa maré dominante na nossa literatura das últimas décadas. Para o público americano mostrou um mundo - uma ilha - no meio do Atlântico para a qual a América era um horizonte ameno: uma imigração natural, não desesperada. A verdade é que os portugueses, açoreanos sobretudo, estão na América há dois séculos. E no entanto ainda hoje são, de certo modo, a comunidade invisível. Para nós o atractivo é o de ler uma história quase bucólica, e assistir à auto-descoberta de uma criança que se revelará um indivíduo com uma rica vida interior.

Considera que a escrita Alfred Lewis está mais próxima do estilo nacional ou norte-americano, muito mais realista que o europeu?
Definitivamente, é um livro mais americano que português. Daí também a opção por uma tradução de marca branca, como fez (muito bem, na minha opinião) a Francisca Cortesão. A escrita de Lewis não diz nem a mais nem a menos. Sendo simples, optámos por diálogos secos, em detrimento dum eventual naturalismo. Aquilo a que chamamos realismo americano é mais uma contenção de linguagem do que a reprodução fiel de uma qualquer oralidade.

Um dos méritos do livro é demonstrar pormenorizadamente a vida na Ilha das Flores em meados do século XX. Ou seja, o livro não deixa de ser também um álbum de memórias para a geração actual. Este é o seu principal mérito?
Não. O principal mérito é ser um livro muito bem escrito e que ainda hoje nos dá prazer. Para isso servem os romances. Mas claro que nos devolve um mundo tão próximo e tão distante de nós: um certo Portugal que durou quase até aos anos 80 do século passado.

Este é o primeiro volume da série «Portugal na América» que a EDEL vai publicar nos próximos meses, anos. Como analisa esta iniciativa?
Fazia falta, não é? Vem colmatar um vazio, uma ausência, um desconhecimento. A literatura luso-americana também é quase invisível entre nós. E não tem de ser assim.

Apresentou a obra nos Açores. Como foi a recepção dos açorianos? Sentiu alguma curiosidade por parte deles? Muitos conheciam o autor?
Alguns conheciam o nome. Agora passam a conhecer a obra. Enquanto continental empedernido, sinto-me abençoado por ter podido participar desta experiência. Nas Flores então (de onde Lewis partiu aos 20 anos) foi maravilhoso. Mais místico só mergulhar na Lagoa das Sete Cidades.

(original link)

QuickLinks

x

myUMD

x